Sobre

No ano de 2002 eu entrei em crise existencial. Tinha um bom emprego, morava bem, sem problemas com a família, bons amigos, mas ainda assim todos os dias ia dormir com um vazio enorme no peito, sem muita vontade de seguir adiante. Questionava o tempo todo se era aquilo mesmo, se eu seguiria na mesma rotina. Numa destas noites eu tive um sonho onde memórias de uma cachorrinha que eu tive na infância, a Bolinha, fizeram com que eu acordasse no meio da noite com uma sensação de felicidade que eu não experimentava havia tempos. Morava no bairro Higienópolis em São Paulo e perto havia um mercado 24 horas. Sabia que naquele horário já estaria saindo a primeira fornada de pães e resolvi ir até lá, ainda excitado pelo belo sonho. Chegando próximo ao mercado vi um cãozinho todo encolhido, olhando para as poucas pessoas que passavam naquele horário, como que pedindo socorro. Aquilo mexeu muito comigo e eu senti que poderia fazer alguma coisa. Fui até o mercado, comprei alguns petiscos e voltei para alimentar o cãozinho, mas já havia uma pessoa junto dele e soube então que tinha dono, mas naquele momento eu entendi o meu sonho e sabia que era uma dica para que eu começasse a fazer algo que daria um sentido maior a minha existência. De pronto resolvi mudar para uma casa e acabei achando uma nova moradia em Santo André. O passo seguinte seria ter um cão. Eu sempre tive paixão pelos labradores e decidi comprar um filhote. Eu não tinha ainda esta sensibilidade sobre cães de rua, adoção, etc… Busquei informação sobre alguns canis e acabei indo para um que ficava na cidade de Alumínio. E assim conheci o Shaka Zulu, um labrador preto que virou minha vida de cabeça prá baixo e trouxe finalmente aquela sensação de que valia a pena estar aqui. Com dois meses junto do Shaka estávamos passeando à noite e do nada um caozinho que estava do outro lado da rua, junto de um senhor, atravessou e veio correndo e começou a brincar com o Shaka. GriteI para o senhor que ficasse tranquilo porque o Shaka não machucaria o seu cão. A resposta ignorante foi “Se machucar também, não é meu”. Olhei para o cãozinho e convidei a nos acompanhar. E assim chegou o primeiro adotado, Genghis Khan, que entrou em minha casa como se já conhecesse tudo e se tornou o grande amigo do Shaka. De lá prá cá já passaram por mim quase 150 caes, alguns poucos foram doadas para pessoas especiais, mais a maior parte ficou comigo, seja por doença, seja por idade ou comportamento. Hoje o Projeto Shaka tem 52 cães e vocês vão conhecer um pouco da rotina deles.